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» Perguntas e Respostas

Abaixo encontram-se as respostas a algumas das perguntas que os alunos colocaram aos cientistas no forum.


MAIO 2004


P- Quanto tempo dura em média uma investigação científica? (Soraia Rodrigues, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Suponho que estejas a falar das missões no mar... Pode variar bastante, existem missões que duram meses, existem outras que duram apenas alguns dias... O trabalho de investigação posterior que daí surge, no laboratório, pode durar alguns anos (3, 4, ou até mais), pode inclusive ter de se realizar mais do que uma missão ao mar para concluir o mesmo trabalho de investigação. As missões no mar são, portanto, apenas uma das etapas de uma investigação mais alargada.

A investigação científica raramente se “acaba”. É frequente a resposta a uma pergunta gerar novas perguntas, e o conhecimento avançar e aprofundar-se como consequência da própria investigação. Os cientistas são pessoas com uma curiosidade insaciável!

Marta Entradas, CREMINER, FCUL



P- Como se sabe quanto tempo tem um vulcão? (Soraia Rodrigues, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Nalguns casos, as erupções mais recentes de certos vulcões foram observadas por pessoas, pelo que sabemos com todo o rigor a idade destes fenómenos. Mas as erupções mais antigas, destes e doutros vulcões, não foram observadas por ninguém. Mesmo assim, é possível saber a idade do vulcão, através do estudo das lavas que o compõem. Isto porque é possível datar as rochas, analisando em grande pormenor determinados componentes, que vão variando com o tempo (chamados isótopos radioactivos). Por exemplo, o vulcão das Sete Cidades, na ilha de S. Miguel, é composto por rochas com idades entre 5 Ma e 5000 anos.

Fernando Barriga, CREMINER, FCUL



P- Como se sabe quanto tempo dura uma erupção? (Soraia Rodrigues, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Para erupções subaéreas é fácil: basta observar directamente o fenómeno. E o seu início, geralmente é anunciado por sismos.
Para uma erupção submarina é bastante mais complicado, pois existem erupções no fundo do mar que nem sequer chegam a ser detectadas. É muito difícil observar uma erupção submarina, por várias razões. Geralmente ocorrem em locais de difícil acessibilidade e, nas raras vezes que os cientistas têm oportunidade de as visitar, quando lá chegam já a erupção tem terminado. No caso da Serreta não foi bem assim porque a erupção durou vários meses e os cientistas tiveram oportunidade de a observar bem, em parte graças às novas tecnologias de observação directa (submersíveis). Mas quer as erupções subaéreas quer as submarinas padecem do mesmo "problema": são fenómenos por vezes extremamente rápidos e muitas vezes inesperados!

Marta Entradas, CREMINER, FCUL

Fernando Barriga, CREMINER, FCUL



P- Os cientistas correm muitos perigos? (Soraia Rodrigues, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Sim, alguns, principalmente aqueles que se dedicam a fenómenos tão inesperados como são os do vulcanismo.
Um casal célebre de vulcanólogos, os Kraft, dedicou grande parte da sua vida às erupções. Eram sempre os primeiros a chegar a qualquer erupção. Até se conta que muito antes da erupção começar já eles lá estavam. Usavam gorras vermelhas para que se um acidente acontecesse pudessem ser facilmente identificados. Eles fizeram muito pela vulcanologia e muito do que hoje sabemos sobre vulcões deve-se em grande parte a eles. Acabaram por perder a vida numa erupção.
Se não conheces ainda esta história aconselho-te a ver o filme publicado pela National Geographic Society (também em português).

Existem muitas outras histórias que ilustram os perigos que os vulcanólogos por vezes correm. Podes por exemplo ler os livros escritos pelo francês Haroun Tazieff, falecido em 1998, sobre histórias de vulcões, onde partilha connosco episódios entusiasmantes de erupções que presenciou, nomeadamente a erupção dos Capelinhos, no Faial, em 1957. (Vê a página Saber Mais).

Marta Entradas, CREMINER, FCUL



P- Hoje em dia já existem muitos materiais de investigação?

R- Materiais? Presumo que queiras dizer meios técnicos?
A tecnologia avança de dia para dia e cada vez mais os cientistas têm acesso a aparelhos que lhes permitem explorar os muitos mistérios que a Terra ainda esconde. E isto verifica-se para as várias áreas da ciência, quer para a biologia e a geologia, quer para a física e a matemática. No caso específico da exploração do fundo do mar, os progressos têm sido enormes, e há 50 anos era impensável pensar em examinar o oceano tal como hoje se faz. Era por exemplo inimaginável que criaturas habitassem o ambiente profundo, sobretudo nas condições tão inóspitas que se sabe hoje existir nesses locais - só em 1977 foram descobertas as primeiras fontes hidrotermais nas zonas de limite de placas oceânicas a temperaturas da ordem dos 300 ºC! Este é um excelente exemplo do que o avanço da tecnologia permite actualmente conhecer.
Existem vários instrumentos que permitem explorar o fundo marinho, dos quais devem ser destacados os navios de investigação que transportam os cientistas e a tripulação e, que cada vez mais possuem boas condições de trabalho – alguns grandes navios podem permancer no mar vários meses sem regressar a terra! - e os submarinos que mergulham e recolhem imagens a grandes profundidades. Estes veículos, que suportam as condições extremas do fundo (o frio, o escuro, e a pressão) podem ou não transportar pessoas e por isso classificam-se em veículos tripulados (1 piloto e 2 ou 3 cientistas) e não tripulados, respectivamente. Existem dois tipos de veículos não tripulados: os ROVs (Remotely Operated Vehicles) e os AUVs (Autonomous Underwater Vehicles), que se distinguem, essencialmente, por possuirem ou não, um cabo que os liga ao navio, e pela autonomia, isto é, o tempo que conseguem permanecer debaixo de água. Os AUV não possuem esse cabo e são mais limitados a nível de horas debaixo de água.
Para saberes mais, podes consultar a página da "Tecnologia". Aí encontras as características que distinguem os vários tipos de veículos, bem como algumas fotografias.

Marta Entradas, CREMINER, FCUL

P- Como é que soube que o vulcão da Serreta estava a entrar em erupção? (Omayra e André Santos, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Foi, por um lado, registado uma série de microsismos nos sismógrafos do Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores, na Ilha Terceira. Foram os primeiros sinais... Por outro lado, os relatos dos pescadores também ajudaram bastante. Eles diziam ver a água "deitar fumo".

Marta Entradas, CREMINER, FCUL

Fernando Barriga, CREMINER, FCUL



Gostava de mostrar o seu trabalho a mais pessoas? (Ana Marta, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Sim, claro. Penso que existem muitos trabalhos desenvolvidos em diversas áreas que têm interesse para a sociedade e que por isso deveriam ser mostrados ao público em geral. O vulcanismo é um exemplo, por várias razões, e para nós, que temos a sorte de ter aqui tão perto um "laboratório" no meio do oceano, que é o arquipélago dos Açores, deveríamos aproveitar o trabalho que lá é desenvolvido e fazê-lo chegar às escolas e à população unindo a ciência à educação. E, acima de tudo, partilhar com os outros o prazer que é descobrir algo de novo. Esse é um projecto que esperamos em breve concretizar.

Marta Entradas, CREMINER, FCUL

Fernando Barriga, CREMINER, FCUL



Quantos anos estudou para ser cientista? (André Nunes e João Oca, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Como sabes a seguir aos estudos secundários vem a universidade, e para lá chegar é preciso um certo esforço. É também preciso saber muito bem que área escolher para que não te arrependas da opção que tomaste. Qualquer curso universitário, licenciatura, demora no mínimo quatro anos a completar. Mas geralmente as licenciaturas em ciências (biologia, geologia, física, etc) têm duração de cinco anos. A seguir à lincenciatura vem o mestrado e/ou o doutoramento. Um mestrado demora mais dois anos (em Portugal), mas pode ser feito directamente o doutoramento sem mestrado. Para isso é necessária uma boa nota de fim de curso.

O doutoramento demora, no mínimo, mais três anos. Portanto, já vamos em mais ou menos, 10 anos a estudar. A seguir ao doutoramento existem os Pós-Doutoramentos que, como o próprio nome indica, são feitos após o doutoramento. Podem durar 2, 3 anos. A seguir a isto, em qualquer trabalho de investigação que se faça é sempre necessário ir estudando...
Eu estou agora a fazer o mestrado, por isso já lá vão sete anos a estudar na universidade. Se somar aos doze anos pré-universitários, são dezanove anos de estudo! Que passaram a correr!

Marta Entradas, CREMINER, FCUL



Custa muito ser cientista? (André Nunes e João Oca, 7ºE, Escola Secundária Daniel Sampaio)

R- Se gostares da aventura e do desconhecido, não custa nada! É um enorme prazer! É como ser desportista de alta competição: é preciso trabalhar, mas faz-se por gosto. Um cientista tem que ser observador, paciente, rigoroso e, sobretudo, muito curioso!

Fernando Barriga, CREMINER, FCUL

 

"(...) É a primeira vez, nos últimos 30 anos, que se observa um fenómeno deste tipo no Atlântico, e esta será a 2ª missão científica de sempre para o estudo de uma erupção com estas ceracterísticas (...)" (05-04-99, DN)
"(...) as pedras "ocas" que ascendem à superfície, assemelham-se a pipocas a estalar (...)" (07-04-99, Público)
"(...) Aquilo é uma coisa nunca vista, dizem os pescadores (...)" (18-12-98, DN)
"(...) cientistas regressaram ao último vulcão dos Açores. Nunca, o modelo eruptivo deste vulcão havia sido observado, nem descrito na literatura científica (...) (26-09-2002, Público)









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